RELAÇÃO DOS SIMPÓSIOS APROVADOS

 

 


1-MEMÓRIA E VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA

Coordenadores

Profa. Dra Silvana Maria Pantoja dos Santos/UESPI

Prof. Dr. José Henrique de Paula Borralho/UEMA

Resumo do simpósio

Este simpósio propõe o diálogo entre pesquisadores que discutem a violência de gênero, seja ela doméstica ou social, a partir das interfaces entre literatura e memória. A violência contra a mulher no Brasil ancora-se nos moldes da sociedade patriarcal tradicional, com agravamento de práticas que envolvem diferentes contextos sociais, cujas práticas impõem sentidos marcados pelo jogo de poder, que (re)define o tratamento dado à mulher na sociedade.  No contexto da ditadura militar, a arbitrariedade do regime deu amplos poderes às forças armadas a torturar presos e presas políticos, inclusive fazendo do corpo da mulher, lugar de práticas de estupros, por conseguinte, induzindo ao rebaixamento de sua subjetividade. São muitas as representações literárias contemporâneas escritas por homens e mulheres, que dão testemunho das mais variadas formas de violência física e simbólica cometidas contra mulher no contexto da ditadura e fora dela. Pollak (1989, p. 13) assevera que “há uma permanente interação entre o vivido e o aprendido, o vivido e o transmitido. Essas constatações se aplicam a toda forma de memória, individual e coletiva, familiar, nacional e de pequenos grupos”. Assim, entendemos que o processo de ressignificação da violência contra a mulher por meio da escrita literária contemporânea é importante para se repensar o hoje, já que rememorar é uma tentativa de compreender o vivido, a partir do distanciamento entre as experiências (de si e/ou do outro), processo delicado que insere a linguagem em um percurso intervalar, entre o dizível e o indizível, o confessável e o inconfessável.

Palavras-chave: Representação literária. Memória. Violência de gênero

2-RELAÇÕES DE GÊNERO NA POESIA E NA FICÇÃO INFANTIS E JUVENIS: MÚLTIPLAS REPRESENTAÇÕES

Coordenadores

Profa. Dra. Alexandra Santos Pinheiro - UFGD

Prof. Dr. Diógenes Buenos Aires de Carvalho – UESPI

Resumo do simpósio

A literatura pode oferecer uma nova visão de mundo aos leitores, pois permite visualizar o ser humano e a realidade social de maneira mais ampla. Por essa razão, a proposta para o presente simpósio consiste em reunir trabalhos que analisem textos literários da literatura infantil e juvenil (brasileira e estrangeira) em seus diversos suportes, que representem temas como: relações de gênero, orientação sexual, identidade de gênero e papeis sociais pré-estabelecidos. A partir dos trabalhos apresentados deste simpósio, pretendemos compreender como as diferentes vozes de gênero se posicionam, por meio de seus textos e/ou hipertextos, frente às questões relacionadas às relações de gênero e como as mesmas contribuem para que os leitores, sejam eles, adultos, adolescentes ou crianças, ressignifiquem os conhecimentos pré-estabelecidos em relação ao tema..

Palavras chaves: Relações de Gênero. Literatura infantil e juvenil. Representações.

 

 

 

3-REPRESENTAÇÕES DA MULHER NA LITERATURA OCIDENTAL

Coordenadores

Profa. Dra. Karine Rocha Oliveira - UFPE

Profa. Dra. Maria Suely de Oliveira Lopes – UESPI

Resumo do simpósio

Através do que se conhece como critical invisibility, as feministas afirmam que a crítica literária, durante muito tempo, se negou a aceitar a ideia de que mulheres escreviam. Não acreditando na capacidade feminina, a crítica, até então formada por homens, jogou as escritoras ao ostracismo, excluindo-as do cânone.  Por conta deste, e de outros fatores, na segunda metade do século XX inicia-se dentro da academia a crítica literária feminista. Esta é inaugurada a partir da publicação de livros importantes como The feminine mystique (Betty Friedan), The dialect of sex (Shulamith Firestone) e Sexual politics (Kate Millett), por exemplo. A crítica literária feminista anglo-americana irá surgir da necessidade de analisar, sob a ótica da mulher, obras masculinas canonizadas. Utilizando-se das ideologias feministas, acadêmicas irão analisar como a mulher era representada dentro da sociedade androcêntrica. Tal análise irá apontar caminhos para descontruir estereótipos enraizados no ocidente para a mulher, geralmente dividida em dois polos: anjo e demônio. A segunda etapa do trabalho das pesquisadoras se pautara em um trabalho de fortalecer a literatura de autoria feminina. Com este foco, começará um trabalho de resgate de autoras do passado relegadas ao ostracismo pela crítica masculina, além da visibilidade de escritoras contemporâneas. Elaine Showalter irá propor a realização da ginocrítica, na qual mulheres que leem e estudam mulheres construirão um cânone literária feminino, paralelo ao masculino.  O problema desta ideia é perpetuar a diferença sexual. A crítica americana irá propor um trabalho baseado em gênero e não em sexo biológico. Assim, as identidades masculinas e femininas serão estudadas em correlação e não em oposição.  Pesquisadoras como Teresa de Lauretis e Judith Butler defendem a ideia de que o gênero é um conceito socialmente construído. As peculiaridades sexuais são significadas através de discursos que acabam gerando as diferenças dentro das comunidades nas quais os indivíduos estão inseridos. Jane Flax defende que o gênero pode ser analisado dentro das práticas sociais concretas que variam conforme a época, cultura, raça e idade. Para a crítica norte-americana as concepções masculino e feminino são internalizadas culturalmente, impulsionando os indivíduos a destinos já demarcados. Flax acredita que é preciso recuperar e explorar os aspectos da relação homem-mulher que foram suprimidos ou desacreditados pela cultura dominante, mostrando como a experiência feminina foi afetada. O presente simpósio tem por objetivo analisar como as identidades femininas foram construídas ao longo da história ocidental. Nosso objetivo é discutir como tais construções afetaram a maneira como a mulher escrevia sobre si sob o peso do patriarcado, como escritoras romperam tais barreiras e apresentaram novas formas de se dizer mulher, como as lésbicas se inserem neste espaço, além das negras e indígenas.

Palavras-chave: Crítica Literária Feminista Americana. Representações da mulher. Resgate. Literaturas modernas.

 

 

 

4-“LITERATURA AFROLATINA: QUAL O LUGAR DAS ESCRITORAS?”

Coordenadoras

Profa. Dra. Cintia Camargo Vianna – UFU

Profa. Dra. Cristiane Navarrete Tolomei – UFMA

Resumo do simpósio

Esse GT pretende colocar em discussão a conceituação ora apresentada para a conformação de uma Literatura Afrolatina (literatura de língua portuguesa e de língua espanhola), especialmente, o espaço ocupado pelas autoras. Nesse sentido, interessam trabalhos, de diferentes perspectivas teóricas, que assumam como premissa a existência de um contra-cânone de autoria negra e que, ao assumir essa posição, se ocuparem da investigação do redimensionamento para as noções de nacional, nacionalidade e pertencimento. Além disso, assumir essa posição significaria colocar em cheque os critérios para construção/organização do cânone e avaliar os muitos processos de silenciamento próprios de nossa sociedade. Serão bem vindos também trabalhos que se debrucem sobre o reflexo ou o impacto dos processos históricos de apagamento de autoria, de produção e de divulgação da literatura produzida por negros na América Hispânica, especialmente, aquela produzida por mulheres.

Palavras-Chave: Literatura Afrolatina; Autoria Feminina; Contra-Cânone; Vozes Silenciosas.

 

 

 

5-A AUTORIA FEMININA EM PORTUGAL: SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA

Coordenadoras

Profa. Dra. Nicia Petreceli Zucolo – UFAM

Profa. Dra. Marlise Vaz Bridi – USP / Mackenzie

Resumo do simpósio

Em uma pesquisa realizada pela profª Regina Dalcastagnè (publicada como Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado), revelou-se que os autores canônicos brasileiros são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente). A pesquisadora trabalhou com 258 romances publicados de 1990 a 2004, pela Companhia das Letras, Record e Rocco, principais editoras do mercado. Os dados dizem respeito ao panorama brasileiro, mas o cânone (comercial ou não) em Portugal é bastante semelhante. Pensar essa pesquisa como elemento desencadeador de um simpósio que vise ao enriquecimento das discussões sobre as representações literárias e das singularidades referentes à ação das escritoras portuguesas, relativizando-se as peculiaridades nacionais, traz à tona diversos dispositivos de regulação social, como ideologia, moral, tabus, preconceitos, que estão dispostos pela sociedade de maneira sutil e, por isso mesmo, mais profundamente coercitiva e eficaz, principalmente sobre as mulheres. Um desses mecanismos, nem sempre percebido como tal, é o controle dos corpos: a sexualidade e sua regulação, sobretudo a do corpo feminino. Michel Foucault, em seu primeiro volume da História da sexualidade, afirma que a sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não à realidade subterrânea que se apreende com dificuldade, mas à grande rede da superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, a formação dos conhecimentos, o reforço dos controles e das resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder. Escritoras como Mariana de Alcoforado, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, Judith Teixeira, Florbela Espanca (entre tantas outras), sofreram pressão, em épocas distintas, por conta de sua escritura, questionadora não apenas da sexualidade e do corpo, mas também dos papéis instituídos socialmente à mulher. Contemporaneamente, porém, mais escritoras têm problematizado os lugares e limites de gênero, os papéis sociais, o silenciamento e a invisibilidade, especialmente a partir de percepções levantadas pela autoria feminina ao longo deste último século. O domínio do cânone pelo discurso hegemônico masculino ainda é uma realidade, entretanto, a abertura para discussão em espaços tradicionalmente masculinos, como a academia e a própria produção literária, possibilita olhares de diferentes ângulos sobre as construções dos papéis sociais de mulheres e de seus exercícios de sexualidade e identidade. Produções literárias que ganharam contornos singulares à medida que o pensamento feminista veio conquistando espaço, constituindo-se como uma fratura nas representações femininas tradicionais, resistência à opressão da mulher revelaram-se verdadeiros mecanismos de afirmação identitária e de subversão às tradições instituídas pelo patriarcado, ao desconstruir os paradigmas das representações de gênero. As diversas transformações nos papéis sociais de gênero e sexualidade historicamente vivenciados pelas sociedades são uma realidade, e como tal ecoam na literatura, levantando algumas questões como: será que a representação da mulher e do homem assume aspectos distintos a partir da autoria feminina? Será que a sororidade (entendida como resistência ao patriarcado, tida como relação de união e empoderamento entre mulheres) se faz presente no discurso ficcional de autoria feminina? Será que o resgate da literatura canônica e sua subversão contemporânea são suficientes como mecanismos de resistência? O Grupo de Estudos Literatura de Autoria Feminina – com membros da USP, UNESP, UFRN, UFAM, CENTRO UNIVERSITARIO UNIFMU, Mackenzie e Universidade do Minho (PT) – espera para este simpósio trabalhos que releiam discursos não-hegemônicos, desfazendo estereótipos criados pela crítica patriarcal até há pouco tempo dominante na academia, fomentando o debate acerca da escrita da literatura portuguesa de autoria feminina em seus contextos de produção: as relações entre mulher, história e sociedade e a formação de uma identidade social, bem como as questões como gênero e ruptura, erotismo, alteridade e subversão, sem descurar do elemento estético dos textos estudados, já que não se trata de restringir a literatura a um campo sexista, correndo-se o risco de incorrer no mesmo reducionismo que a literatura de autoria feminina sofreu até então.

Palavras-Chave: Escritoras Portuguesas. Revisão Do Cânone.  Revisitação da Tradição. Resistência.

 

 

 

6-IDENTIDADE E AUTORREPRESENTAÇÃO NA POESIA IBERO-AMERICANA DE AUTORIA FEMININA: DO FIM DO SÉCULO XIX AO INÍCIO DO SÉCULO XX

Coordenadores

Prof. Dr. Henrique Marques Samyn - UERJ

Profa. Dra. Lina Arao - UFRJ

Resumo do simpósio

O simpósio pretende agrupar trabalhos que abordem, a partir dos mais diversos enfoques, os temas da identidade e da autorrepresentação em obras poéticas de autoria feminina produzidas desde o último quarto do século XIX até o primeiro quarto do século XX, no âmbito ibero-americano. O que se tenciona a partir dessa proposta é construir um espaço propício para o diálogo acadêmico entre pesquisas que tratem de produções literárias que emergiram a partir de uma dupla marginalização, algo que se torna evidente quando se consideram as condições específicas subjacentes à autoria feminina e a inscrição das obras assim produzidas em regiões periféricas. Por outro lado, a ênfase nas questões da identidade e da autorrepresentação visa a estabelecer um recorte que favoreça a análise de como autoras inscritas naquele momento histórico utilizaram a literatura para lidar com os dispositivos de opressão decorrentes de sua situação concreta. Espera-se que o simpósio possa fornecer uma oportunidade para a discussão de temas relevantes para os estudos contemporâneos em torno da literatura de autoria feminina.

Palavras-chave: Identidade. Autorrepresentação. Literatura de Autoria Feminina. Literatura Ibero-Americana.

 

 

 

7-MEMÓRIA E IMAGINÁRIO NAS LITERATURAS DE AUTORIA FEMININA

Coordenadores

Prof. Dr. Iêdo de Oliveira Paes - UFRPE

Prof. Dr. Sávio Roberto Fonseca de Freitas -UFRPE

Resumo do simpósio

Partindo do princípio de que a literatura de países colonizados sempre estabelece uma política de negociação com as ideologias colonizadoras eurocêntricas, objetivamos por meio deste simpósio discutir como se constituem as interfaces estéticas e ideológicas nas tessituras literárias de autoria feminina por meio de um imaginário de representação que se forma através da dissimulação, pela militância e assimilação cultural, evidenciando o modo como as relações de gênero se estabelecem e delimitam os traços políticos e culturais que tangenciam ou tencionam toda a escritura dessas literaturas no tocante aos pactos celebrados na representação do sujeito contemporâneo que não se cansa de encenar e enunciar, pontuando o discurso fragmentado e erguido em meio a representações da memória que perpassa por entre labirintos reconfigurados no processo de construção e desconstrução no qual está imerso.

Palavras-Chave: Poéticas Do Imaginário. Memória. Literaturas de Autoria Feminina

 

 

 

8-LITERATURA AFRO-BRASILEIRA, HISTÓRIA E RELAÇÕES DE GÊNERO

Coordenadores

Profa. Dra. Idalina Maria Almeida de Freitas - UFNR

Prof. Dr. Carlos Eduardo Bezerra – Unilab

Resumo Simpósio

Neste simpósio pretende-se reunir propostas de comunicação oral de pesquisas concluídas ou em andamento cujas temáticas dialoguem com produções literárias afro-brasileiras e suas interfaces com as relações de gênero. Os processos relacionais que envolvem as ações de mulheres, homens e demais sujeitos, em contextos históricos diversos, são percebidos por meio da construção literária enquanto possibilidades de novas escritas da História e de histórias oriundas da diáspora africana no Brasil. Nessa ordem, textos ficcionais que enveredem pela perspectiva das representações corporais, identitárias, pós-identitárias, raciais, feministas, de orientação sexual e identidade de gênero vêm surgindo nos escritos afro-brasileiros, subvertendo, através dessas escritas, representações cristalizadas do discurso hegemônico colonizador, inclusive nos modos de narrar a História, sendo marcados pela oralidade.  São esses textos ficcionais escritos e orais que temos como foco neste simpósio, bem como o estudo de seus temas e categorias.

Palavras-chave: Diásporas. Relações de gênero. Literaturas

 

 

 

9-A MULHER, A CASA E A RUA: RELAÇÕES ESPACIAIS E SOCIAIS DE GÊNERO EM NARRATIVAS BRASILEIRAS DO SÉCULO XX

Coordenadoras

Profa. Dra. Andréa Beraldo Borde – Unifacs

Profa . Dra. Dislene Cardoso De Brito -  IF Baiano – Campus Valença

Resumo do simpósio

Pensando no mote “lugar de mulher é onde ela quiser!”, o simpósio intitulado “A mulher, a casa e a rua: relações espaciais e sociais de gênero em narrativas brasileiras” tem por intuito trazer à luz trabalhos acadêmicos que versem sobre a construção do espaço feminino em narrativas brasileiras do século XX. Tais narrativas estão inseridas num contexto socioeconômico que convive com a derrocada de valores patriarcais de outrora, mas insiste em arrastar consigo modelos de conduta sedimentados na lógica do homem-branco-europeu-cristão-heterossexual. Confinamento ao lar, maternidade idealizada, suposta ignorância intelectual e incapacidade para assumir certas profissões restringiram os horizontes das mulheres durante séculos de nossa história nacional. Com o advento da revolução sexual, amostras do poder feminino começam a ganhar corpo, voz, espaço e performance no Brasil. O processo de empoderamento aparece, desse modo, em narrativas que tendem a um tom intimista e trazem à cena a questão autoral feminina e a representação do gênero feminino em personagens que desafiam o poder, a violência, o medo, o silêncio e o apagamento. Esse processo de formação crítica, tanto de escritoras quanto de leitoras, é bastante profícuo na medida em que se contrapõe às resistentes bases patriarcais que ora pretendem desestabilizar e desarticular. Para tanto, este simpósio intenta aprofundar estudos e discutir propostas referentes a análises narrativas que ficcionalizam mulheres que, mesmo diante de uma sociedade ainda machista, conquistam seu espaço, na casa, na rua e onde ela quiser. Os aspectos discutidos também compreendem a espacialização do discurso da mulher e as dificuldades dela, somadas às do homem, em construir uma identidade feminina no contexto de sociedade moderna, gestada ao longo do século XX. Faz-se necessário, também, compreender a constituição do sujeito feminino diante da transformação da intimidade, em conjunção com o discurso do corpo e o posicionamento da sexualidade na autorrealização identitária. Nesse cenário, as paisagens sociais desenhadas pelas autoras do período são analisadas como representativas da sociedade do século XX, posto que as mudanças sociais ocorridas, principalmente no que tange à estrutura da família nuclear, entraram em processo de dissolução. Acredita-se que esse movimento tenha se desencadeado, dentre outros fatores, pela ascensão da figura feminina que, ao questionar seu papel social, provocou um abalo nas relações sociais até então demarcadas pela autoridade masculina (pai – esposo), levando à ruptura do antigo modelo de família. Tais questões são, sem dúvidas, observáveis nas obras de arte, principalmente na literatura, arte da palavra que carrega consigo a expressão estética do homem, da cultura e do mundo. Assim, no que tange ao aporte teórico, os postulados dos estudos culturais trazem importantes contribuições para a temática do simpósio em questão. Pensamentos e reflexões de Stuart Hall, Zygmunt Bauman, Anthony Giddens; Michelle Perrot, Judith Butler; Elizabeth Roudinesco, bem como os estudos de Michel Foucault sobre o poder do corpo, a sexualidade e os mecanismos de repressão, são contributos válidos para as questões aqui levantadas. Dentro dessa perspectiva, os trabalhos encaminhados para este simpósio podem primar pela análise literária de personagens femininas, como podem também fazer uma análise comparativa entre narrativas, tomando como eixo central o papel da mulher em ambas. Busca-se, desse modo, ampliar as discussões em torno dos espaços assumidos pela mulher num contexto de sociedade moderna, além de oportunizar o contato com a produção de autoria feminina brasileira, rica em elementos representativos de nossa sociedade. Espera-se que trabalhos centrados na temática proposta favoreçam a construção de significativas pesquisas para os estudos culturais e o fortalecimento das questões de gênero em nossa sociedade.

Palavras-chave: Relações espaciais. Relações sociais. Identidade feminina. Narrativas de autoria feminina.

 

 

 

10-O LUGAR DO SUJEITO FEMININO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: LEITURAS DE IDENTIDADE EM NARRATIVAS LITERÁRIAS

Coordenadoras

Profa. Dra. Maria do Socorro Baptista Barbosa - UESPI

Profa. Dra. Elisabeth Mary de Carvalho Baptista – UESPI

Resumo do simpósio

Esse seminário propõe uma reflexão sobre a construção ou desconstrução da identidade feminina a partir do lugar ou do não lugar de vivências individuais e sociais em narrativas literárias. O ser humano percebe os espaços, a partir dos lugares de identificação, possíveis de gerar significados, afeto e proteção. Tuan (1977) reconhece que o espaço ao ser definido, significado e humanizado transforma-se em lugar. Augé (2010) denomina de não lugares os espaços de passagem, esvaziados de relação humana, cuja marca é a impossibilidade de interação. Com isso, torna-se necessária a compreensão sobre o sentido do lugar para a construção da identidade. Quando a relação com os lugares fica comprometida, a identificação torna-se problemática. Dessa maneira, a partir de narrativas literárias, pode-se questionar como o lugar, enquanto lócus de vivências pode influenciar no processo de formação da identidade. Para tanto, parte-se do pressuposto de que a partir do século XX a sociedade fora impactada por profundas transformações, contribuindo para diferentes indagações sobre o espaço de pertencimento, o lugar, decorrente dos constantes deslocamentos do homem globalizado. Com a mudança espacial, a mulher vivencia novos costumes e relações interpessoais, podendo gerar uma crise de identidade, visto que estar em trânsito significa pertencer a espaços deslizantes, é sentir-se desterritorializado tanto “de seu lugar no mundo social e cultural, quanto de si mesmo” (HALL, 2006, p.09), Para além da crise, o contato com outros contextos, com outros povos, outras culturas, leva o sujeito feminino a partilhar experiências, o que favorece a construção de uma identidade plural, já que a identidade passa a ser encarada como um processo sempre em formação. Ante o exposto, propõe-se neste Simpósio um diálogo interdisciplinar sobre o lugar da mulher na sociedade contemporânea, a partir do texto literário. Olhares de diferentes áreas, como da literatura, geografia, antropologia, história, sociologia, psicologia, psicanálise, dentre outras, serão importantes para se pensar essas questões.

Palavras-Chave: Literatura. Espaço. Lugar. Identidade Feminina.

 

11-LITERATURA, ESTUDOS DE GÊNERO E ESTUDOS MEDIEVAIS: RELEITURAS E RESIDUALIDADES

Coordenadoras

Profa. Dra. Aldinida Medeiros - UEPB

Profa. Dra. Elizabeth Dias Martins – UFC

Resumo do simpósio

O simpósio pretende reunir pesquisadores das universidades e de outras instituições de ensino superior brasileiras e estrangeiras, bem como os professores do ensino básico, especializados nas áreas de estudos de gênero e de estudos medievais com o intuito de promover espaços de debates e troca de saberes em torno das releituras e residualidades nessas duas áreas no campo literário.

Palavras-Chave: Literatura. Gênero. Residualidades

 

 

 

12-ESCRITAS DO CORPO: ÉTICA, ESTÉTICA E SUBVERSÃO FEMININA NAS LITERATURAS EM LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadoras

Profa. Dra. Luana Antunes Costa - UNILAB

Profa. Dra. Eliane Gonçalves da Costa – UFES

Resumo do simpósio

Que corpo é esse talhado pelas escritas dos sistemas literários em língua portuguesa?  Quais as suas nuances, entre a materialidade da vida e a potência recriadora da arte? Quais os lugares que ele ocupa, por onde transita? Entre a pele habitada pela palavra e a pele que sente a beleza, as tensões, as dores do mundo, entrevemos todo um universo de significações e significados. Assim, as escritas do corpo feminino nas literaturas contemporâneas produzida por mulheres se configuram como o meio de uma práxis de cidadania. A força de suas presenças problematiza antigas estruturas de poder arraigadas em diferentes sociedades, sejam elas africanas, brasileira ou outras.  Eis, então, um convite ao pacto com o escrito, com aquele/a que escreve, presente nas entrelinhas dos corpos criados pela palavra literária.Potencializando a importância de se investigar as representações do corpo feminino no campo das Literaturas de Língua Portuguesa na perspectiva do método comparativo, o simpósio “ESCRITAS DO CORPO: Ética, Estética e Subversão Feminina nas Literaturas em Língua Portuguesa” pretende destacar o trabalho literário e político de escritoras que, tanto no espaço público de seus países de origem quanto no internacional, desempenham papeis de intelectuais, performatizando os seus pontos de vista, como nos lembra Edward Said “[...] alguém que visivelmente representa um qualquer ponto de vista, alguém que articula representações a um público, apesar de todo o tipo de barreiras” (SAID, 2000, p. 29), afirmando, por meio de seus gestos de subversão e denúncia as palavras de Bell Hooks: “Quando o trabalho intelectual surge de uma preocupação com a mudança social e política radical, quando esse trabalho é dirigido para as necessidades das pessoas, nos põe numa solidariedade e comunidade maiores. Enaltece fundamentalmente a vida” (HOOKS, 1995, p. 478). Trata-se, portanto, de compreender o sujeito intelectual a partir de sua intervenção efetiva na esfera pública e seu comprometimento a alinhar-se na oposição a lógicas mantenedoras do status quo na esfera social. Portanto, a consciência intelectual articula-se com a posição empenhada e o comprometimento com o risco, inerentes à exposição pública e à defesa de ideias. Cientes das dificuldades da inserção da mulher como escritora e intelectual na cena pública da informação, da precariedade da voz feminina, da invisibilidade da mulher como escritora e cidadã, no Brasil, no Continente Africano, em Portugal e alhures, cremos que o corpo da escritora, percebido socialmente como feminino, seja o primeiro campo de embates, de afirmações e de reivindicações, em envolvimento direto com as construções estéticas de suas obras literárias, sobretudo com as representações dos corpos femininos pela palavra artístico-verbal. Desse modo, acreditamos que a presença de uma estreita relação entre a elaboração estética da corporeidade nas literaturas em língua portuguesa e a expressão de um comprometimento ético do sujeito intelectual, marcado por sua posição feminina, racial e social, pode sugerir certas especificidades do labor literário de escritoras-intelectuais, e também, estratégias de uma política de presença da mulher no campo social e político. Por tudo isso, desejamos que esse simpósio seja um espaço fecundo para possíveis revisões e problematizações do campo teórico-crítico, ampliando, assim, o campo de visão da crítica literária e de outros campos de saberes, como aqueles das Ciências Humanas e de outras artes.  Que ele possa ser um lugar de confluências e afluências de saberes interdisciplinares; espaço de investigação e debate de obras ficcionais e poéticas das Literaturas em Língua Portuguesa, produzidas por escritoras que apresentam, tanto na cena pública de seus países de origem, quanto na internacional, uma práxis intelectual ao revitalizarem o corpo da mulher e suas identidades, não deixando de questionar e convocar, em suas obras, o corpo social de seus países, sua historicidade e suas identidades sociais.

Palavras-chave: Literatura e Política. Intelectual. Corpo. Mulher.

 

 

 

13-O DISCURSO E A IMAGEM DO E SOBRE O FEMININO NA LITERATURA E OUTRAS ARTES CONTEMPORÂNEAS

Coordenadoras

Profa. Dra. Roberta Maria Ferreira Alves - UFVJM

Profa. Dra. Assunção de Maria Sousa e Silva  -  UESPI

Resumo do simpósio

A arte contemporânea, dentre outras direções conceituais, empreende um olhar de desconstrução das representações discursivas da mulher, fomentando uma reflexão quanto às imagens e aos discursos femininos que vigoram. Nesse aspecto, pode-se averiguar um caminho da crítica estético-literária que investiga tanto a performance das personagens femininas, quanto a forma como diversas narrativas de autoria femininas são concebidas e construídas. Este simpósio tem o propósito de refletir sobre as formas de construções discursivas e imagéticas, seja no campo da literatura, seja nas demais artes (artes plásticas, música, fotografia, cinema), em que o feminino passa a ser o elemento motivador e propulsor da consciência estética no embate dos problemas que lhe atinge nas sociedades contemporâneas, especialmente a violência, os silenciamentos e outros obstáculos enfrentados no exercício de sua autoafirmação.

Palavras-chave: Arte contemporânea. Feminino. Literatura. Performance. Violência. Autoafirmação.   

 

 

 

14-REPRESENTAÇÕES DO FEMININO NO CINEMA BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO

Coordenadores

Prof. Dr. José Wanderson Lima Torres - UESPI

Prof. Dr. Jonas Rodrigues de Moraes – UFMA

Resumo do simpósio

O presente simpósio propõe a investigação das representações do feminino no cinema brasileiro contemporâneo, tanto em filmes dirigidos por sujeitos masculinos como também por sujeitos femininos. Por contemporâneo, aqui, entende-se o período que se inicia em 1995 e se estende até os dias atuais, período no qual o cinema nacional apresentou um significado incremento de público e um crescimento robusto na quantidade de filmes produzidos por ano, além de renovação de temas e processos criativos, incorporando as conquistas estéticas trazidas ao cinema por criadores como Abbas Kiarostami, Jia Zhang-Ke, Apichatpong Weerasethakul, Jean-Luc Godard, Quentin Tarantino e David Lynch. Esse período recobre duas propostas estéticas ou períodos históricos do cinema nacional - a Retomada (1995-2003) e a Pós-Retomada (2003 aos dias atuais) – e marca o surgimento de diretores como Carla Camurati, Walter Salles, Fernando Meirelles, Andrucha Waddington, Anna Muylaert, Claudio Assis, Petrus Cariry e Keleber Mendonça Filho.  Ambos os períodos, Retomada e Pós-Retomada, não obstante seus traços diferenciais, pressupoem a incorporação de problemas e padrões estéticos surgidos no bojo da Pós-modernidade, o que implica o questionamento da metanarrativas que sustentaram a Modernidade e a emergência de novos paradigmas interpretativos, dentre as quais se pode citar a teoria feminista. Neste âmbito, pretende-se devolver neste simpósio, focando a análise de filmes nacionais contemporâneos, reflexões que envolvam, entre outros temas afins, o questionamento de estereótipos falôcentricos, a persistência de padrões patriarcais e sua consequência no processo de produção de identidades femininas, a desconstrução do feminino e do masculino, a emergência de identidades femininas marginalizadas na modernidade, a comparação do feminino representado no cinema nacional contemporâneo e em outras cinematografias, os novos perfis femininos emergentes nos espaços urbanos pós-modernos, os conflitos políticos e ideológicos subjacentes à afirmação de novas identidades femininas e os problemas estéticos inerentes à construção de uma estética feminina no cinema. Espera-se, desta forma, construir um painel fidedigno da complexa e multifacetada da representação do feminino no âmbito do cinema brasileiro contemporâneo.

Palavras-chave: Cinema. Metanarrativas. Representações femininas

15-REPRESENTAÇÕES DO MASCULINO E DO FEMININO NA CULTURA GRECO-ROMANA E SUA RECEPÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE

Coordenadores

Profa. Dra. Marinalva Vilar de Lima – UFCG

Prof. Dr. Orlando Luiz de Araújo – UFC/CAPES

Resumo do simpósio

Com frequência, as literaturas grega e latina exploram o modo pelo qual o masculino e o feminino experiencia o mundo um do outro. O simpósio “Representações do Masculino e do Feminino na Cultura Greco-Romana e sua Recepção na Contemporaneidade” aceitará trabalhos que pretendam discutir os modelos greco-latinos e sua recepção na contemporaneidade de como a dualidade masculino/feminino se refletiu em cada cultura e de como a contemporaneidade recebeu tais representações. Interessa-nos discutir, sobretudo, questões de identidade, masculinidade, feminilidade e examinar qual o sentido da vida do homem e da mulher nas sociedades supracitadas e sua recepção no mundo atual.

Palavras-chave: Cultura Greco-Romana.Feminino.Literatura

 

16- IDENTIDADE, MEMÓRIA E GÊNERO

Profa. Dra. Margareth Torres de Alencar Costa /UESPI

Profa. Dr Sebatião  Alves Teixeira Lopes/UFPI

 Resumo do simpòsio

 

 

Este simpósio pretende viabilizar a apresentação de pesquisas que englobem discussões sobre diferentes atores sociais vinculados aos processos construtivos de memórias e identidades culturais e a como esses sujeitos se percebem no que diz respeito ás suas identidades de gênero. relações entre a literatura e a história, investigando, no contexto das narrativas, a maneira de como ambas estão imbricadas no discurso ficcional, proporcionando (re) leituras críticas do passado histórico. Além do romance histórico, o simpósio abre espaço para os gêneros híbridos surgidos dessa inter-relação – história romanceada, biografia, crônica, memória, diário, entre tantas outras narrativas que perpassam a relação entre história e literatura – e que problematizam o discurso histórico, oferecendo ao leitor, por meio da ficção, outras possibilidades de leituras de autoria feminina.Assim  pretendemos neste simpósio, problematizar lugares e conflitos de memória, especialmente dos países latino americanos, onde os processos de memórias estão relacionados com histórias atravessadas por conflitos e desafios dos movimentos feministas e da literatura de gênero de uma forma gera.

 

Palavras chave: identidades de gênero; memória e história;

 

17-REPRESENTAÇÕES DO PODER FEMININO NAS LITERATURAS AFRICANAS E AFRO-BRASILEIRA

Coordenadoras

Profa. Dra. Rosilda Alves Bezerra – UEPB

Profa. Dra. Maria Suely Da Costa – UEPB

Resumo do simpósio  

O objetivo desse simpósio é apresentar trabalhos que tratam das estratégias de sobrevivências das mulheres e as representações do poder feminino nas Literaturas Africanas e/ou Afro-Brasileira. As produções literárias escritas por mulheres serão aqui analisadas a partir das reflexões e questionamentos que estão no cerne das discussões sobre gênero. As análises literárias se enveredam para a discussão nas quais as mulheres nestas ficções lutam pelo combate às injustiças sociais e as opressões a quem são constantemente submetidas.

Palavras-Chave: Mulheres. Poder. Gênero.

 

 

 

18 - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM OBRAS DE AUTORES NORDESTINOS E A QUESTÃO DE GÊNERO EM DISCUSSÃO

Coordenadoras

Profa. Dra. Lucirene da Silva Carvalho/UESPI

Profa. Dra. Rossana Ramos Henz/UPE

Resumo do simpósio

Percebe-se que, em uma abordagem tradicional, o gênero é visto como categoria biológica, conforme demonstram os estudos de Labov (1972) e de Chambers (1995). Já em uma perspectiva crítica, o gênero é tido como construção social, cultural e histórica, conforme mostram as pesquisas que lidam com as redes sociais e as comunidades de prática. Defende-se que os estudos sociolinguísticos não podem se limitar à análise dos fenômenos linguísticos sem que uma correlação com o processo identificatório dos sujeitos seja feita (o que inclui o gênero); e isso vai além de categorias estatisticamente mensuráveis. Dado que identidade e linguagem implicam-se mutuamente, a sociolinguística não pode se limitar a um modelo essencialista que considera o gênero como uma categoria universal e previamente estabelecida, sem levar em conta que essa categoria é uma construção histórica, política e social, através da qual os indivíduos constituem suas identidades. Assim, argumenta-se em favor de que os trabalhos que tratam de variação/mudança devem contemplar as práticas sociais nas quais os indivíduos se engajam para constituir suas identidades e o gênero está implícito nessa constituição, pois é nessas comunidades de práticas que as variáveis assumem significado social e, a partir daí, se espalham (ou não) para o contexto social mais amplo. Verifica-se, também, que quase sempre, apesar de caráter heterogêneo e variável da língua, os autores mantêm-se presos ao prescritivismo e às regras de bom uso da língua, mas em textos em que há personagens nordestinos a fala destes tem quase sempre uma conotação pejorativa e preconceituosa, principalmente, se for a fala de um personagem feminino. Por essa razão, busca-se evidenciar os possíveis impasses suscitados pela linguagem em relação à mulher, objetivando demonstrar a não neutralidade da linguagem através dos conceitos e valores sobre a questão de gênero. Nesse simpósio serão aceitas propostas que investigarão nos aportes teóricos a presença da fala da região nordeste em obras literárias e populares, buscando evidenciar em que medida esta literatura representa ou pode representar o português falado no nordeste. Sob esses aspectos, este simpósio propõe-se a discutir as intersecções de variação e língua intermediadas pela linguagem no tocante à questão de gênero.

Palavras-chave: Variação linguística. Questão de gênero. Autores nordestinos.

19 - POÉTICAS FEMININAS NAS CULTURAS POPULARES: LINGUAGEM E QUESTÕES DE GÊNERO

Coordenadoras

Profa. Dra. Stela Maria Viana Lima Brito/UESPI

Profa. Dra. Beliza Aurea de Arruda Mello/UFPB

Resumo do simpósio

Até meados da década de 70, a cultura popular era visível pela  formatação  de  vozes masculinas. Eram apenas os homens que assinavam os folhetos de cordel, eram eles que tinham  maior visibilidade nos palcos de cantoria , eram eles  os mestres “respeitados”  dos “brincantes”- teatro  popular. Entretanto, a inclusão da mulher como sujeito de produção e conhecimento nessas culturas, transcende os cânones dos estudos de gênero. Sabe-se que nessas culturas das bordas as mulheres ampliavam substancialmente  sua participação como sujeito de resistência e sobrevivência aos limites econômicos com sua produção poética. Elas não são coadjuvantes das produções culturais, elas são “atores e sujeitos sociais”. Há um “trajeto antropológico”  em diversos momentos da história do Brasil  em que é registrado na memória a participação ativa  de mulheres em várias poéticas das culturas populares. São artesãs ora das vozes como contadoras de história, cantadoras, tiradoras de coco de roda, cirandeiras, ora artesãs da poética das mãos como  ceramistas, bordadeiras, rendeiras, cozinheiras. Entretanto, há um “silêncio da história” (Michelle Perrot-1988)  sobre a participação das mulheres de uma maneira geral, principalmente no que concerne  ao silêncio historiográfico com relação a produção das mulheres  nas poéticas das culturas populares. O silêncio  reproduzido  pelo cânone da historiografia literária  coloca as produções das mulheres nas culturas populares ao lugar do esquecimento ou à obscuridade reiterada pela pertença de classes sociais. Logo, necessário se faz abrir espaço para essas vozes, promover discussões acadêmicas sobre  as poéticas das oralidades, sobre a variação linguística, lançando olhares sobre a representação da fala destas “personagens” nos diversos textos provenientes da cultura popular. A opacidade existente, pouco a pouco, vai dando espaço para novas discussões alavancadas pelos novos paradigmas culturais, políticos e econômicos  que  provocam a epifania dos murmúrios  em “gritos parados no ar”. Pouco a pouco surgem das sombras as “invisíveis” socialmente, mas cujo papel econômico da sua produção era considerável  como equilíbrio dos orçamentos domésticos, como no caso  das artesãs. As poéticas femininas saem da escuridão para  redesenharem as cartografias poéticas; tornam-se “visíveis” as cantadoras, as repentistas, as cordelistas, antes existentes, mas invisíveis sob a sombra de pseudônimos masculinos. Nas últimas décadas do século XX  há um “boom” de mulheres que fazem cordel e lutam pelos espaços  de forma épica:  as  novas aedos  exigem seu lugar no território das poéticas do cânone . Esta sessão coordenada pretende discutir o contexto e a produção das poéticas femininas pelos seus diversos ângulos e lugares, incluindo aspectos da oralidade, da variação lingüística, representação da fala das personagens nas obras, entre outros. Se antes era a “letra” elemento “único“ para corroborar a  valia  poética, a voz conquista seu território alavancada pelos estudos linguísticos e culturais. Esta movência torna-se interesse também na academia. Assim, o “silêncio” imposto às discussões sobre as poéticas femininas nas culturas populares transformam-se em contextos  que não se restringem  apenas às  produções  poéticas  das culturas populares na região do Nordeste, mas em todos territórios do Brasil. 

Palavras-chave: Cultura Popular. Linguagem. Questões de Gênero.

20 - IDENTIDADE, HISTÓRIA E MEMÓRIA NA ESCRITA FEMININA

 

Resumo  simpósio 

 

 A literatura de expressão feminina tem conquistado cada vez mais visibilidade no cenário cultural mundial, através da construção de uma poética que busca trazer aquela que sempre esteve nas margens da literatura para o centro da narrativa. A constituição de tal poética permite abandonar estereótipos que durante muito tempo caracterizaram a mulher, ressaltando apenas os seus atributos físicos, sua sensualidade, sua falta de inteligência e sua subordinação ao homem e ao sistema no qual estava inserida. Ao problematizar conceitos e posturas teóricas equivocadas que tendem a aumentar as desigualdades, a literatura, possibilita o surgimento de personagens que se destacam não apenas por sua etnia, gênero ou cor da pele, mas por uma trajetória, que mesmo marcada pela dominação, violência, assimilação, gerou sobreviventes que foram capazes de desenhar variadas formas de resistência e superação, mesmo que o registro encontrado, na maioria em textos ficcionais, por vezes ainda mostre uma imagem desvirtuada da mulher, cujo processo de desumanização e subalternização se evidencia tanto na consciência feminina quanto no olhar masculino. Dessa forma, o presente simpósio visa analisar as relações entre história, identidade e memória, em narrativas de expressão feminina, propondo uma ampla discussão sobre os modos como a literatura encena formas de resistência e superação das sequelas deixadas pela exclusão e violência contra a mulher.

 Palavras-chave: Identidade; história; memória; escrita feminina.

 

Coordenadoras

Profa. Dra. Maria Edileuza da Costa/ UERN

 Profa. Ma. Míriam Firmino da Silva Paiva /UERN